Percebi que tendo a escrever mais quando estou triste, chateada ou impotente em relação a alguma coisa. Geralmente quando minha paciência se esgota e as asas da indiferença já fazem sombra sob grande parte dos meus planos que eu decido ligar o computador ou pegar numa caneta para esvaziar tudo isso que fica acumulando dia após dia.
Às vezes me sinto fora de mim, como numa peça de teatro. Sempre achei interessante como os atores conseguem experimentar várias faces da vida sem ter que, necessariamente, vivê-las. Pode-se ser uma freira e no momento seguinte uma mulher infiel, um jogador de futebol, um empresário, um vilão, um protagonista, um indiano, árabe, católico, mercenário, comerciante, maquiavélico, intetligente, deficiente... Pode-se ser tudo sem culpa. Os atores não precisam prestar contas com a consciencia pela noite, pois aquilo é só um papel. É o autor da peça quem define a trajetória, a moral e a ética do personagem... ao ator cabe apenas representar. E é exatamente essa parte que sempre me causou um pouquinho de inveja.
No dia a dia cada um tem um pouquinho de ator... às vezes sorrimos quando queremos chorar, somos burgueses enquanto queremos ser poetas, cantamos e falamos quando o que realmente queremos é silenciar... E assim nos sufocamos. Esquecemo-nos frequentemente que também somos os autores de nossa "peça" e assim sendo, somos responsáveis pela ética, pela moral e pela trajetória de nossos personagens. Dessa forma não há como deixar os personagens de lado quando vamos dormir. Não há como nos desvincular das escolhas e resposabilidades de nossos papéis.
O peso é grande. E às vezes isso cansa...