Hoje estava assistindo a um filme que contava parte da
trajetória de Aung San Suu Kyi. Para quem não sabe, até como eu própria há
algumas horas atrás, Suu Jyi foi ganhadora do premio Nobel da paz em 1991.
Mesmo depois de ser reconhecida mundialmente por suas tentativas de instalar a
democracia em Mianmar e trazer à população direitos que nos parecem óbvios, ela
ainda enfrentou experiências terríveis que desafiaram até o limiar de suas
forças, a persistência e resignação em seus ideais.
Quando vejo esses exemplos fico pensando no que consiste a
vida para cada pessoa e em qual é nosso real propósito aqui neste planetinha.
Os exemplos são diversos, desde líderes globais que desempenharam papéis
cruciais na liberdade da raça humana como Nelson Mandela, Gandhi e Suu Kyi até
pessoas que dedicam sua vida em anonimato às causas superiores. Bombeiros,
médicos, enfermeiros, cuidadores, voluntários. Pessoas que escolhem todos os
dias fazer a diferença para um mundo melhor. Sem mencionar àqueles que se
dedicam a ouvir e tocar a alma das pessoas: artistas, músicos, poetas.
Nessa engrenagem da vida cada ser tem o potencial de agregar
com algo único.
Então continuo pensando... Com que gastamos nosso tempo?
Quais preocupações dominam nossa mente? Com que estamos tão envolvidos
diariamente?
Estamos cada vez mais imersos na solidão e isolamento.
Amparando-nos às redes sociais e à rapidez da internet, vivemos dia após dia a
mesma vida sem graça. Descontentes com o trabalho, com o transito, com os
vizinhos ou o tamanho do apartamento em que estamos. Queremos vidas perfeitas,
admiramos o luxo e a frugalidade, veneramos aparências e constantemente nos
encontramos deprimidos. Sozinhos.
Já não sabemos o que nos motiva, o que nos dá alegria e urge
a vontade de se desvencilhar de toda responsabilidade e rotina que a vida
moderna nos impõe. Estamos insensíveis às atrocidades que se passam pelo mundo,
às notícias violentas que nos assolam, o descaso político, a opressão, as
doenças, a miséria. Não vemos, não ligamos, não temos tempo para pensar em nada
além de nós mesmos. E ainda assim, encontramo-nos anestesiados em lugar algum.
Já é tempo de rompermos as barreiras virtuais que nos colocamos.
Já é tempo de nos espelharmos em exemplos dignos de nossa atenção.
Pessoas tesouro nos cercam o tempo todo. Pessoas que
passaram por dores insondáveis, provações incalculáveis de dor e sofrimento
porém que nunca esmoreceram pois lutavam por algo muito mais forte que o
orgulho e egoísmo.
Pessoas que brilharam em momentos de total escuridão e nos
emprestaram suas experiências para nos guiar o caminho. Que decoraram com suas
lágrimas e amor ao próximo, aos valores básicos pelos quais a humanidade anseia,
a chegada à plenitude moral.
São exemplos, dos mais ricos, que marcam a trajetória do
homem na terra.
Por isso, faço um convite (no qual eu mesma me incluo): que
tal reservarmos um pouco do nosso tempo diário para meditar sobre o que nós
podemos fazer de diferente? O que nós podemos colaborar mediante esses
exemplos?
Se Deus deu a força necessária a essas pessoas em provações
muito maiores que a nossa, com certeza, estaremos amparados para seguir no
caminho que escolhermos no bem.
Temos como obrigação lutar e promover a paz neste planeta. A
transformação que se estende no mundo traz consigo muitas dúvidas e abre muitas
portas que levam ao desespero e à falta de amor. Vemos violências, corrupções,
dor, fome, miséria, falta de saúde, falta de infraestrutura, repressões
políticas e religiosas em todo mundo. Mas vemos também um males que se propagam
sorrateiramente: a indiferença, o descaso, o egoísmo, a angústia, a inveja, a
vaidade. Todos nós carregamos as ferramentas
para acabar com essas chagas.
Mas este é o momento que temos para a reflexão. Refletir,
mudar e agir.
Ainda há muito a se fazer para que a Terra seja um planeta
abdicado dessas dores tão primitivas. Porém precisamos de mais prêmios da Paz.
Precisamos fazer de nossas vidas exemplos para o amanhã.
Já é tempo.