quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Proibido perguntar

De repente refletir virou termo "clichê" na sociedade. Aquele que filosófa se vê obrigado a marginalizar seus pensamentos a fim de que possa se enquadrar na normalidade do mundo.
Acho engraçado quando pesquiso os pensamentos que me ocorrem.
Raríssimas vezes pude encontrar pensamentos totalmente originais. Alguém sempre esteve à frente.
Alguém já havia passado por isso, refletido sobre isso e deixado sua marca na história.
Aliás, isso não é revelador. Não é sinônimo de sucesso ou coerência, não é sinônimo de nada... Existem tantas besteiras registradas em tantos lugares que é praticamente impossível que nenhuma delas seja ao menos parecida ou adaptável à minha realidade atual.
Mas não é esse o ponto que me intriga.
O ponto que me intriga é que há mais de cem anos atrás, Oscar Wilde já havia chegado à essa conclusão.
Parafraseando aqui (nem sei se existe essa palavra em português - but I´ll give it a shot): " Para ser popular é indispensável ser medíocre".
A falta de reflexão cultua a mediocridade, a pausa da evolução.
O que acontece é que o homem frequentemente se esquece de ser homem.

A condição que difere os seres humanos dos animais é a inteligência. Não apenas a inteligência física, científica, como a inteligência moral, a inteligência filosófica e espiritual. O que diferencia o homem é sua busca pelo melhor, pela transformação, sua inquietude sincera pela descoberta e pelo novo.
Contudo, o homem tem se esquecido de ser homem e vive constantemente "inerte" em sua condição animalesca, perdido e absorto em seus próprios medos primitivos.
Então me pergunto o por quê... Qual é a razão de ainda insistirmos em mantermos nosso corpo e nossa alma em estágios tão primários. Por quê ainda deixamos que nossos grandes poetas, músicos, ídolos, continuem sendo, repetidamente, pessoas incompreendidas e solitárias? O que os diferencia de nós? O que os torna ídolos?
Perguntas. Tudo que tenho são as perguntas. Ainda que eu as responda, as respostas sempre são mais perguntas... E não me canso.
Prefiro acreditar que minha busca é legítima o suficiente para passar todos os obstáculos. Se esses ainda forem maiores que minhas idéias, que ao menos não sejam maiores que minha fé.
Assim como Sócrates, Jesus e tantos outros filósofos esquecidos há algum tempo, prefiro uma morte trágica ao abrir mão de acreditar que o destino do homem é fadado à felicidade.

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