quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Meus fantasmas


As I stare into this blank sheet... as blank as my dreams I catch myself thinking what have I done with my life so far.
Ascendo um cigarro, dou um trago e vejo todos meus sonhos se esvaírem na fumaça. Pego uma bebida, o gosto é mais amargo do que pensava e ainda assim me sinto em casa.. acostumada. Bebo como se quisesse engolir todos meus problemas, minhas frustrações.
A menina da minha infância me condena através do reflexo do copo. A menina que tinha sonhos, planos, era feliz com tao pouco. Repreende meu desacato com minha saúde, condena meus vícios,  nao compreende minhas mágoas, afinal como pode haver tanta amargura em uma pessoa tao otimista.
Ao longe vejo os carros passando, imagino onde vao as pessoas dentro deles. Será para suas casas? Será para seus trabalhos? Para suas famílias? Onde estão todos os humanos deste mundo? Me perco... me sinto caindo... once again.
A cidade está iluminada, mas pq eh tao escuro? Tudo é tao barulhento e nao consigo ouvir meus pensamentos... eles gritaram tao alto como quem se joga do oitavo andar... e de repente tudo é quieto. São muitos paradoxos no meu coração juvenil.
Nao entendo o que sinto e desaponto mais uma vez uma versão de mim mesma. Desta vez quem me encara é a adolescente guerreira e obstinada, a menina mulher, cheia de audácia, que nunca se renderia aos caprichos do mundo. Ela me encara inconformada. E eu sinto uma tristeza enorme. Nunca imaginei que ela se afastaria de mim. Nunca me vi sem ela, nunca como agora.
Dou mais um gole no meu saque e vejo que ele vai acabar, tem mais uma garrafa na geladeira, mas não sinto vontade de levantar. Toca a música de um novo ano e eu não entendo o pq dessa agitação toda. Não entendo pq as esperanças se renovam se todos fazem tudo igual, over and over again.
Me sinto caindo mais uma vez.
Escuto outras músicas e penso em seus compositores. Meu instrumento é uma caneta ou um computador... seus instrumentos a música... que dor carregavam ? Quais eram seus sonhos? Será que eles desapontavam suas crianças? Me sinto um fracasso, mas como poderei saber. Afinal apenas nós sabemos a dor que cada um suporta e qual é o real peso da nossa jornada.
Acabou o saque e a noite começa a se formar. A escuridão se adensa. O ar fica mais pesado e ainda estou aqui, escrevendo escrevendo escrevendo.... a escrever. Versos que não sei ler. Ritmos que não sei ouvir. Esperando, a espera, que algo me resgate desse marasmo e dessa insatisfação pertinente e incomoda. Que algo acalme meu desespero, modifique minha rotina, acalente meus pensamentos, suporte meus sonhos, abrace minha alma e me diga que entende. Que entende a angustia em meu olhar, que alimente a vida que se esvai... a cada palavra.
E queria ser uma escritora. Quem vai ler esse lixo todo.
Sempre tive algo de nostálgico por tudo que nunca havia vivenciado e uma tendência depressiva quase original. Hoje meus olhos ardem cansados. Meus ombros doem. Meus pés formigam inertes. Meus braços não suportam mais o peso do mundo. Nunca entendi... e continuo sem entender.
 A energia me falta e me sinto só... olho no reflexo do copo, na ultima gota de bebida e vejo calma e claramente uma pessoa a me fitar. Suas rugas e sinais, seus lábios tristes e desanimados, seus olhos vazios me encaram... e tudo que eu tenho certeza é duvidoso. 

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