As I stare into this blank sheet... as blank as my dreams I
catch myself thinking what have I done with my life so far.
Ascendo um cigarro, dou um trago e vejo todos meus sonhos se
esvaírem na fumaça. Pego uma bebida, o gosto é mais amargo do que pensava e
ainda assim me sinto em casa.. acostumada. Bebo como se quisesse engolir todos
meus problemas, minhas frustrações.
A menina da minha infância me condena através do reflexo do
copo. A menina que tinha sonhos, planos, era feliz com tao pouco. Repreende meu
desacato com minha saúde, condena meus vícios,
nao compreende minhas mágoas, afinal como pode haver tanta amargura em
uma pessoa tao otimista.
Ao longe vejo os carros passando, imagino onde vao as
pessoas dentro deles. Será para suas casas? Será para seus trabalhos? Para suas
famílias? Onde estão todos os humanos deste mundo? Me perco... me sinto
caindo... once again.
A cidade está iluminada, mas pq eh tao escuro? Tudo é tao
barulhento e nao consigo ouvir meus pensamentos... eles gritaram tao alto como
quem se joga do oitavo andar... e de repente tudo é quieto. São muitos
paradoxos no meu coração juvenil.
Nao entendo o que sinto e desaponto mais uma vez uma versão
de mim mesma. Desta vez quem me encara é a adolescente guerreira e obstinada, a
menina mulher, cheia de audácia, que nunca se renderia aos caprichos do mundo.
Ela me encara inconformada. E eu sinto uma tristeza enorme. Nunca imaginei que
ela se afastaria de mim. Nunca me vi sem ela, nunca como agora.
Dou mais um gole no meu saque e vejo que ele vai acabar, tem
mais uma garrafa na geladeira, mas não sinto vontade de levantar. Toca a música
de um novo ano e eu não entendo o pq dessa agitação toda. Não entendo pq as
esperanças se renovam se todos fazem tudo igual, over and over again.
Me sinto caindo mais uma vez.
Escuto outras músicas e penso em seus compositores. Meu
instrumento é uma caneta ou um computador... seus instrumentos a música... que
dor carregavam ? Quais eram seus sonhos? Será que eles desapontavam suas
crianças? Me sinto um fracasso, mas como poderei saber. Afinal apenas nós
sabemos a dor que cada um suporta e qual é o real peso da nossa jornada.
Acabou o saque e a noite começa a se formar. A escuridão se
adensa. O ar fica mais pesado e ainda estou aqui, escrevendo escrevendo
escrevendo.... a escrever. Versos que não sei ler. Ritmos que não sei ouvir.
Esperando, a espera, que algo me resgate desse marasmo e dessa insatisfação
pertinente e incomoda. Que algo acalme meu desespero, modifique minha rotina,
acalente meus pensamentos, suporte meus sonhos, abrace minha alma e me diga que
entende. Que entende a angustia em meu olhar, que alimente a vida que se
esvai... a cada palavra.
E queria ser uma escritora. Quem vai ler esse lixo todo.
Sempre tive algo de nostálgico por tudo que nunca havia
vivenciado e uma tendência depressiva quase original. Hoje meus olhos ardem
cansados. Meus ombros doem. Meus pés formigam inertes. Meus braços não suportam
mais o peso do mundo. Nunca entendi... e continuo sem entender.
A energia me falta e
me sinto só... olho no reflexo do copo, na ultima gota de bebida e vejo calma e
claramente uma pessoa a me fitar. Suas rugas e sinais, seus lábios tristes e
desanimados, seus olhos vazios me encaram... e tudo que eu tenho certeza é
duvidoso.
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