sábado, 20 de dezembro de 2014

À tristeza

Inevitável.
Quando ela se aproxima, minhas mãos começam a tremer, esperando por uma folha de papel ou um computador... num ensejo imenso de despeja-la, inundando o espaço, fazendo-a transbordar até que não haja mais resquício seu em meu coração.
Ela se delicia do modo com que sua presença me faz hesitar e de como aos poucos toda a ira que a acompanha me paralisa. Ela observa, vem chegando com mais força, sobe até meus joelhos travando-os. Apodera-se de meu ventre, causando um desconfortável nauseio. Resseca meus lábios e boca até encher meus olhos de tanta água. Não consigo enxergar nem à ela, nem ao mundo ao meu redor... o chão começa a se mover e o fronte de minhas têmporas irrompe em dor.
Vejo meus joelhos no chão, minhas mãos cheias de pó e lágrimas, minha face distorcida de modo irreconhecível.
De repente, sinto-me tão vazia e como poderia ser? Como sentir-se vazia enquanto ela preenche todos os campos e esquinas de meu espírito que nem sabia existir.
Permito-me senti-la e permito-me deixá-la ir... sei que em algum momento ela voltará.

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