domingo, 13 de setembro de 2015

1) Borboletas

E foi lendo um dos meus livros preferidos que eu passei a me encantar pela lições que a natureza traz.
Tudo fez total sentido quando li a frase : "é preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas."
Então refleti um pouco sobre os ciclos da vida e sobre as transformações que tanto ansiamos.
Queremos ser felizes, livres, exemplos de vida para outras pessoas, deixar nossa marca na história do mundo. Queremos muito e de muito somos capazes.
Ignoramos contudo que a felicidade não vem sem a humildade, a liberdade necessita do desapego, a conquista exige paciência e que toda busca tem momentos de dificuldade.

Mal acostumados que somos, sempre queremos ter os prazeres e recompensas. Queremos ser como as borboletas cheias de magia e beleza. Queremos ter asas e voar livremente pelos campos. Raramente, porém,  estamos dispostos à encarar as larvas como parte de um processo engrandecedor.
Julgamos-as feias, indignas, desprovidas de luz. Repudiamos seu caminhar, sentimos nojo mediante sua presença e temos medo de nos aproximarmos de tais seres.
Tal qual as larvas são os seres humanos. têm a necessidade de passar pelos estágios primários de aperfeiçoamento do ego, da intolerância. Precisam rastejar aos primeiros passos a fim de tornarem-se dignos. Enobrecem o caráter através das dificuldades. Sentem-se incompreendidos, perdidos, pequenos e isolados. Aos poucos, tornando-se conscientes de seu estado primitivo, entram em meditação. Isolam-se em busca de respostas as quais só podem ser encontradas dentro de cada um de nós. Fecham-se em casulos.
Ao longo deste processo sentem dor, solidão. Começam a entender que se faz necessário deixar para trás as aparências, as aprovações sem sentido. Compreendem aos poucos que existem muitas coisas a serem observadas em si mesmo antes de cuidar ou provar algo a outrem. Percebem que o corpo da ilusão é pesado e mundano demais e que é quase impossível seguir adiante sustentando o peso do ego e da vaidade. O processo é doloroso e lento. O desejo pela liberdade e experiências vai se intensificando... O anseio pela vida cresce a cada instante. De repente, tudo que não condiz com essa felicidade fica esquecido em algum lugar. Soltam-se as amarras, quebram-se os dogmas já cristalizados, rompem-se os preconceitos descabidos e tudo isso compõe nada mais que um casulo já vazio.
Seguem as borboletas com seus aprendizados podendo enfim ser livres, semeando luz e alegria por onde permeiam. Seguem as borboletas que só podem ser assim chamadas pois em algum momento do processo evolutivo souberam se transformar em algo melhor, mais puro através do amor e resignação aos testes da vida.

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